segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O mesmo xerife  em Fortaleza.



Enfim o bang-bang das eleições municipais de fortaleza se encerra e o pleito culmina com a vitória do candidato a reeleição Roberto Cláudio do partido PDT. Este levou um total de 53,57% dos votos válidos contra 46,43% do candidato do PR Capitão Wagner. Resta-nos agora acalmar os ânimos e repensar nosso papel político como cidadão. Tendo em vista o vício nefasto de sociedade puramente telespectadora-maldizente criada sob o costume vassalo de mais assistir a programas de televisão do que ler livros e jornais. Precisamos com urgência prolongar nosso interesse pela campanha política, a aprender a usar nosso senso diário de participação coletiva no acompanhamento pari passu dos novos prefeitos.
Na sua campanha, e diga-se expressiva campanha, rumo ao paço municipal o deputado capitão Wagner aceitou o desafio de propor soluções em uma área que segundo a carta magna é de reserva do poder estadual. A segurança inegavelmente está um caos, já somos, sem orgulho, a 12ª capital mais violenta do mundo, e a mais violenta do Brasil segundo estudo publicado pela ONG mexicana "Seguridad, Justicia y Paz, neste link.
Para cientistas políticos, o candidato Capitão Wagner pecou ao associar excessivamente suas propostas a uma temática que visivelmente pouco pode sofrer intervenções do chefe municipal.
O candidato vencedor tem seus méritos. Entregou algumas obras que apreciadas pelo surrupiado caminhar de cidadão brasileiro tínhamos como bolsões de desvio de dinheiro e má qualidade. Este acerto inclui novas avenidas com estrutura de qualidade nova, corredores exclusivos de ônibus, ciclofaixas para bicicletas, creches e escolas de tempo integral, essas últimas inovam ao adotar um modelo que une ensino regular e qualificação técnica para os alunos.
Vivemos tantos anos acumbranhados por uma cínica atuação governamental que quando surge um sujeito que faz alguns mínimos projetos de cunho social e urbano o cidadão fortalezense sente-se aliviado, melhor traduzindo; valorizado em suas necessidades.
      Há muito a se mexer nessa cidade e o desemprego começa a bater a porta de muitos fortalezenses aumentando mais ainda a tensão por mudanças. Acredito que todos esperam uma segunda gestão mais qualificada, uma melhor e mais visível ação em torno de temas como a valorização de centros históricos da cidade, um redesenho negocial para o centro de fortaleza  além de um upgrade na cereja do bolo de nossa cidade que é turismo.


Em 31/10/2016


domingo, 30 de outubro de 2016

POESIA - LOUCO


Louco

Vassalo e rei
Cão e gato
Herói e vilão,
Seco e frio, envolto e protetor
Onde há lá estará, na volta do mundo, no seio dos mares está
Na noite pesada, na frieza da duvida, na força da loucura, estás
Está sim, como som estridente reforçando a certeza
O medo, passa, de longe resvala sua intenção, lamente sua força esparsas
Espada afiada, aguda e certeira, convicta de sua força...
Na Forca ali deita o louco

Deita a noite sobre amores sem certezas.

sábado, 29 de outubro de 2016

POESIA 2 - NOITE  -  A LAMPARINA AFAGA

É na noite que a gente se cala
e a mente resvala
Os estilhaços de nosso dia.
Noite escura, universal, gratuita
O melhor programa do natal.
As estrelas, as cores dançantes, embria..
gadas que como latas derramadas pitam
A tele celeste. ironia
Palco da vida de binóculos de moradores
Longe, prédios bem distantes, bem
Perto do sem-fim, escritórios vazios.
Namorados tácitos, bêbados, advogados
Todos com igual direito de assistirem, e
Sentirem a madrugada, hoje fria
Noite sinfonia. A sinfonia do cri-cri
dos grilos, a melodrama da cigarra, o bate asa
do galinho, noite do tum-tum do coração...      
noite de tudo acontecer, de ets na zé de Alencar
a Robinho furtando tvs

  

POESIA 1 - JOÃO NINGUÉM

Joao Ninguém

Conquistou a menina com sua sina
Sua natureza revelou a obra prima da vida
Seus gritos mudos, interpretados pelos zóios...
Encantou –cantou Djavan- para a  prima da avenida
Teu nome pouco importa, a casa? Não guarda.
O dinheiro não paga, a força não rouba
O que João ninguém pode laurear à priminha ?!
Só o amor que torna anjo plebeu, ateu só por rima
O céu geme calado ao encenar o fim da dança à terra
Volta à idade-pedra, e se vê joão e prima naturados
Pelas valas da vida implacáveis sonham como quaisquer meninos
Apontam tudo como posse, como eternos se entregam

Como deuses ao destino.

dia desconhecido


Destino


Por vezes nosso destino está tão patente a nossa frente que chega  ser constrangedor se pegar rodopiando na sala traçando as cenas desse capítulo chamado vida. Eu queria sinceramente meu caro que fizessem um microfone leitor de mentes, assim teríamos; eu, a paz de escrever a mente e você, a sinceridade de conhecer-me plenamente. Mas ai penso ; só DEUS reservou para si essa patente, do invento da alma só ele entende e assim inclina seus ouvidos atentamente para ouvir o rastejo de pé, o grito insolente desse ser chamado vida que corre na mente.

Mas cá estamos nós vivendo na verdade sempre em duas pernas de pau como palhaços emergentes, desengonçados com nossas andanças e de certa forma cada vez mais dominantes de muitos palcos. E de pouco em pouco como o ponteiro come a noite, nossa vida vai na verdade se destilando ao frescor do calor dos ventos, e aos mares gélidos trepidantes nossos barcos andantes vão ganhando consentimentos mundo afora mundo a dentro. Nossos corpos vão se se moldando aos prantos das concessões diárias e se renovando como a fé do crente maldizente. Ao passo que para cada fase ou estação da apresentação do palhaço neste palco já não existe porta, nem degrau  que faça limite as chamadas fases dessa história. Se no começo era menino de colo subiu de patente e se tornou  moço ou tronco de gente, e com mais naus no seu defronte chegou a rapaz jovem e quem sabe um dia UM valente. Na sala estamos no chão "intertidos" pela caixa de alienação e lá fora está ele, o tempo.

Intransigente passa como o  galego na hora marcada exigindo sempre a sua paga.

E nas memórias de nossa pele, permanecem, as gostosas corridas de pés descalços, as comidas doces e salgadas, aquele milho queimado, o primeiro pastel de queijo, a primeira coca estalada de tão gelada e o primeiro beijo tão desengonçado, a dor fina do assalto, a raiva injusta do pai que parte assustado, e da alegria plena de se descobrir salvo.


E na chegada ao cais futuro, cabe a Deus escrever sobre esse laço que na verdade é a morte que chega sem atraso, como um trem marcado faz o seu enlaço e nós devidamente empacotados como uma mala marrom de couro cortado viajamos sob o som do sino cansado nosso rumo sempre questionado do que revela o fim do espetáculo se aplausos aleluia, se desdém que loucura de um homem no público sempre esperado.

em 29/10/2016 as 23:33