sábado, 29 de outubro de 2016

Destino


Por vezes nosso destino está tão patente a nossa frente que chega  ser constrangedor se pegar rodopiando na sala traçando as cenas desse capítulo chamado vida. Eu queria sinceramente meu caro que fizessem um microfone leitor de mentes, assim teríamos; eu, a paz de escrever a mente e você, a sinceridade de conhecer-me plenamente. Mas ai penso ; só DEUS reservou para si essa patente, do invento da alma só ele entende e assim inclina seus ouvidos atentamente para ouvir o rastejo de pé, o grito insolente desse ser chamado vida que corre na mente.

Mas cá estamos nós vivendo na verdade sempre em duas pernas de pau como palhaços emergentes, desengonçados com nossas andanças e de certa forma cada vez mais dominantes de muitos palcos. E de pouco em pouco como o ponteiro come a noite, nossa vida vai na verdade se destilando ao frescor do calor dos ventos, e aos mares gélidos trepidantes nossos barcos andantes vão ganhando consentimentos mundo afora mundo a dentro. Nossos corpos vão se se moldando aos prantos das concessões diárias e se renovando como a fé do crente maldizente. Ao passo que para cada fase ou estação da apresentação do palhaço neste palco já não existe porta, nem degrau  que faça limite as chamadas fases dessa história. Se no começo era menino de colo subiu de patente e se tornou  moço ou tronco de gente, e com mais naus no seu defronte chegou a rapaz jovem e quem sabe um dia UM valente. Na sala estamos no chão "intertidos" pela caixa de alienação e lá fora está ele, o tempo.

Intransigente passa como o  galego na hora marcada exigindo sempre a sua paga.

E nas memórias de nossa pele, permanecem, as gostosas corridas de pés descalços, as comidas doces e salgadas, aquele milho queimado, o primeiro pastel de queijo, a primeira coca estalada de tão gelada e o primeiro beijo tão desengonçado, a dor fina do assalto, a raiva injusta do pai que parte assustado, e da alegria plena de se descobrir salvo.


E na chegada ao cais futuro, cabe a Deus escrever sobre esse laço que na verdade é a morte que chega sem atraso, como um trem marcado faz o seu enlaço e nós devidamente empacotados como uma mala marrom de couro cortado viajamos sob o som do sino cansado nosso rumo sempre questionado do que revela o fim do espetáculo se aplausos aleluia, se desdém que loucura de um homem no público sempre esperado.

em 29/10/2016 as 23:33

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