Destino
Mas cá estamos nós vivendo na verdade sempre em duas pernas de pau como palhaços emergentes, desengonçados com nossas andanças e de certa forma cada vez mais dominantes de muitos palcos. E de pouco em pouco como o ponteiro come a noite, nossa vida vai na verdade se destilando ao frescor do calor dos ventos, e aos mares gélidos trepidantes nossos barcos andantes vão ganhando consentimentos mundo afora mundo a dentro. Nossos corpos vão se se moldando aos prantos das concessões diárias e se renovando como a fé do crente maldizente. Ao passo que para cada fase ou estação da apresentação do palhaço neste palco já não existe porta, nem degrau que faça limite as chamadas fases dessa história. Se no começo era menino de colo subiu de patente e se tornou moço ou tronco de gente, e com mais naus no seu defronte chegou a rapaz jovem e quem sabe um dia UM valente. Na sala estamos no chão "intertidos" pela caixa de alienação e lá fora está ele, o tempo.
Intransigente passa como o galego na hora marcada exigindo sempre a sua paga.
E nas memórias de nossa
pele, permanecem, as gostosas corridas de pés descalços, as comidas doces e
salgadas, aquele milho queimado, o primeiro pastel de queijo, a primeira coca estalada
de tão gelada e o primeiro beijo tão desengonçado, a dor fina do assalto, a raiva
injusta do pai que parte assustado, e da alegria plena de se descobrir salvo.
E na chegada ao cais futuro, cabe a Deus escrever
sobre esse laço que na verdade é a morte que chega sem atraso, como um trem
marcado faz o seu enlaço e nós devidamente empacotados como uma mala marrom de couro cortado viajamos sob o som do sino cansado nosso rumo sempre questionado do que revela o fim do espetáculo se aplausos aleluia, se desdém que loucura de um homem no público sempre esperado.
em 29/10/2016 as 23:33

Nenhum comentário:
Postar um comentário